09-06 Audiência pública discute denúncia de violação de direitos humanos.

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais – ALMG promoveu, nesta quarta-feira (07), audiência pública para apurar a violação contra a Sargento Raquel Aparecida Vasconcelos realizada pelo 1º-tenente Juliano Ricardo Costa, comandante da 56ª Cia. do 20º Batalhão da Polícia Militar (BPM), situada em Pouso Alegre, no sul de Minas. A audiência foi realizada a pedido do deputado Cabo Júlio (PMDB).

A sargento Raquel, informou que teria sido desrespeitada e ameaçada de prisão pelo 1º – tenente Juliano Ricardo Costa, tanto na rede de comunicações da Polícia Militar quanto em seu local de trabalho. O episódio que gerou a acusação ocorreu no dia três de novembro de 2016, no Centro de Operações da Polícia Militar – Copom.

De acordo com Raquel, na data, ela e mais um militar estavam em serviço no Copom em virtude de uma operação. Na ocasião, a sargento estava responsável pelo atendimento dos telefones do 190, PABX e também do rádio. Segundo a militar, isso a impossibilitou de se ausentar, até mesmo para suprir suas necessidades básicas. Raquel também estava responsável por despachar viaturas, acionar perícia quando necessário, guincho, e registros. A policial relatou que, quando o tenente solicitou a viatura, ela informou que não tinha carro disponível para enviar e disse que iria despachar assim que houvesse. A demora em atender ao pedido motivou, segundo ela, agressões verbais pelo rádio. “Me senti muito humilhada, desrespeitada perante meus colegas de trabalho. Fiquei tão angustiada e indignada com a atitude e tratamento dele, que comecei a passar mal de gastrite nervosa. Nunca tratei ninguém com essa indiferença e arrogância. Infelizmente, essa não é a primeira vez que esse tenente me humilha. É muito sofrimento, eu durmo com isso e acordo com isso, toda hora que vejo, vem à minha mente a palavra incompetente”, contou.

Para Cabo Júlio, que acompanhou a audiência, é lamentável que ainda aconteçam fatos como esse. “É triste ver que nossos parceiros de farda ainda são vítimas de abusos de autoridade e assédio moral. Infelizmente, o tenente Juliano e o comandante da 56ª Cia. do 20º Batalhão da Polícia Militar (BPM) não vieram para dar explicações, mas agora vamos tomar outras providências. Se ele não quis vir, deve ser porque tem algo a temer, uma vez que a ALMG também é um canal para que ele dê sua própria versão da história”, disse o parlamentar.

Cabo Júlio afirmou que agora o problema é entre os poderes: o Legislativo, que fez uma convocação, e o poder Executivo, que tomou a decisão de não comparecer a uma convocação do poder Legislativo. “Convocado não é convidado. Tem a obrigação perante o regimento interno da ALMG de vir. Não tenho nada contra ele, a discussão aqui é sobre o fato ocorrido. Vamos tomar as providências cabíveis e enviar o caso também à Promotoria de Direitos Humanos”, conclui o deputado.