Ciclo de debates Dia Internacional da Mulher: Mulheres Contra a Violência - Autonomia, Reconhecimento e Participação


Ciclo de Debates na ALMG discute violência contra mulheres

O evento aberto nesta quarta-feira (02), no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) apresentou dados alarmantes. Em 2013, o Estado registrou 4,2 mortes para cada grupo de 100 mil mulheres, índice pouco menor que a média nacional, de 4,8, que coloca o Brasil no 5º lugar na escala mundial. O Ciclo de Debates “Dia Internacional da Mulher – Mulheres contra a violência autonomia, reconhecimento e participação” realizado no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais marca o início das atividades alusivas ao dia 08 de março. As atividades continuam nesta quinta-feira.

O Mapa da Violência 2015, com as estatísticas dos homicídios de mulheres no Brasil, foi apresentado pelo professor Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da Área de Estudos sobre Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso). De acordo com o professor pratica-se uma “carnificina” contra as mulheres. Ele chegou a comparar a violência contra as mulheres aos casos de Dengue e destacou que a violência praticada contra as mulheres mata muito mais que a epidemia. “A dengue não mata um décimo do que mata a violência. Mas não há a mesma mobilização e nem orçamento para conter isso”, observou.

O Mapa trouxe ainda informações de que a violência é muito maior contra as negras. Em todo o País, a taxa de homicídios contra brancas caiu 11,9% entre 2003 e 2013. Mas o mesmo índice para negras aumentou 19,5%. Em Minas, a situação se repete, com queda de 2,1% para homicídios de mulheres brancas e elevação de 9,6% para negras.

Para o professor Julio Jacobo, os dados apresentados colocam em dúvida não as políticas do Estado, mas a suficiência delas. Segundo ele, há pouca avaliação das políticas realizadas. “Estamos fazendo muita coisa no escuro, porque temos dados fajutos. Não adotamos medidas para ter a clareza”, definiu. Durante a reunião, a subsecretária de Políticas para as Mulheres da Secretaria de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania, Larissa Amorim Borges, anunciou a reconstituição, pelo Governo, do Conselho Estadual de Políticas para Mulheres.

Outro tema que marcou o evento nesta quarta-feira foi a mobilização em prol da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 16/15 que garante a presença de pelo menos uma mulher na Mesa da Assembleia. Para as deputadas, a PEC é extremamente importante porque marca espaço e seria mais um canal para dar voz às mulheres de Minas.

“É emocionante perceber que o Estado de Minas tem sido pioneiro na ampliação da participação feminina na política do país. O parecer favorável que já foi concedido à PEC 16/15 é uma vitória que vai ampliar o debate e o caráter democrático na casa”, observou Celise Laviola, vice presidente da Comissão Extraordinária de Mulheres da ALMG e presidente da secretaria da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais. – UNALE. A deputada lembrou o que as mulheres discutiram no ano passado, na ocasião das comemorações do dia Internacional da Mulher e aproveitou para pedir mais mobilização em defesa da Proposta de Emenda à Constituição. “Discutimos o empoderamento da mulheres e agora precisamos do apoio de todos para aprovar a PEC”, ressaltou.