De 2012 a 2015, o número de denúncias de violência contra idosos aumentou 274% em Minas Gerais

De 2012 a 2015, o número de denúncias de violência contra idosos aumentou 274% em Minas Gerais

O Brasil terá, em 2050, 172 idosos para cada cem crianças. Antes, em 2030, o País já será majoritariamente idoso. Os dados, atribuídos ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram destacados em audiência da Comissão Extraordinária do Idoso da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta quarta-feira (13), para justificar a necessidade de políticas públicas para esse segmento. Com o envelhecimento da população, crescem também os números de violência contra os idosos. Na única delegacia especializada do Estado, em Belo Horizonte, as denúncias presenciais passaram de 2 mil em 2015.

De acordo com a delegada titular da Delegacia Especializada de Atendimento ao Idoso e à Pessoa com Deficiência de Belo Horizonte, Ana Patrícia Ferreira França, em 2012, a unidade contabilizou 729 denúncias presenciais, número que aumentou para 845 em 2013 e para 1916 em 2014. “Também recebemos cerca de sete denúncias anônimas por dia”, acrescentou. Os crimes de maus-tratos, como negligência, abandono e falta de alimentação, são os mais frequentes, mas há casos de ameaça, lesão corporal e apropriação de benefícios, normalmente por familiares.

A delegada ressaltou que os crimes acontecem não somente em famílias pobres, mas em todas as classes sociais. “Muitas vezes, os idosos se calam por medo de romper o vínculo com a prole. Infelizmente, não fomos educados para respeitar os idosos, e a polícia vai atuar quando alguma coisa já falhou”, observou. Ela reforçou a necessidade da denúncia, que pode ser anônima, pelo Disque 100 ou pelo 181.

O deputado Isauro Calais (PMDB), presidente da comissão, lamentou que Minas tenha apenas uma delegacia, com nove funcionários, e que não disponha de mecanismos que facilitem as denúncias de agressão. “Hoje, 71% dos municípios mineiros não têm conselho do idoso”, exemplificou, acrescentando que, ainda assim, é preciso denunciar, pelo meio possível. O parlamentar aponta que a comissão terá a tarefa de convencer o Governo do Estado a rever isso. “Queremos que envelhecer em Minas seja motivo de felicidade e segurança”, afirmou Isauro, autor do requerimento para a audiência, junto com os colegas Geisa Teixeira (PT) e Glaycon Franco (PV).