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O dia 26 de junho foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional de Combate às Drogas. O deputado Vanderlei Miranda abordou o tema durante entrevista ao Programa Visão Parlamentar exibido pela TV Assembleia. A chegada do crack no Brasil nos anos 80, o domínio alcançado pelas drogas, os principais problemas causados pelo consumo de substâncias entorpecentes e a forma como os governos têm tratado a questão da dependência química. Esses foram alguns dos assuntos abordados.

“Temos o dia 26 de junho como o Dia Internacional de Combate às Drogas, mas precisamos diariamente fazer esse trabalho de combate e conscientização. Nenhum governo, nem federal, estadual ou municipal tem uma política eficaz para o tratamento da questão das drogas. Estamos vendo o caso de São Paulo. O prefeito começou um projeto, posso dizer uma ‘limpeza’, mas de certa forma ele está varrendo para debaixo do tapete. É preciso colocar o machado na raiz do problema. A droga é uma pandemia e está assolando o mundo inteiro. A questão é trabalhar para que as pessoas deixem essa dependência”, afirma o parlamentar.

Outro ponto questionado pelo deputado foi a legislação e as penalidades aplicadas aos usuários de drogas. Segundo ele, há paternalismo. “O usuário de drogas não pode ser cobrado ou punido de forma mais rígida pela lei, embora usar drogas no Brasil continue sendo um crime. Falta coerência, pois a droga não foi descriminalizada, mas o usuário não pode ser preso. O que nós criamos com isso? Porque sabemos que há uma relação de interesse e mercantilismo entre o que vende e o que consome. Só tem o vendedor porque tem o cliente. Só tem o cliente porque tem o vendedor”, observou.

Durante a entrevista, Vanderlei mencionou também a colaboração das comunidades terapêuticas no tratamento dos dependentes. “As comunidades têm sido perseguidas, mas com a experiência que adquiri, mesmo antes da vida pública, durante os anos que venho trabalhando com essa questão, posso destacar a grande contribuição que elas têm no processo de acolher os dependentes e devolvê-los para suas famílias, recuperados e livres da dependência”.

Mesmo diante do cenário caótico e desesperador causado pelas drogas, o parlamentar acredita que é possível despertar a sociedade para ter um novo olhar sobre a dependência química. “Eu tenho esperança de que conseguiremos, um dia, acordar as pessoas e os governos para que tenhamos uma política eficiente de combate às drogas”.