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A retomada do repasse dos recursos financeiros concedidos pelo Governo do Estado para o tratamento de dependentes químicos, por meio do Cartão Aliança pela Vida, foi assunto da reunião requerida pelo deputado Vanderlei Miranda com o secretário Estadual de Saúde, Sávio Souza Cruz. Representantes de comunidades terapêuticas (CT´s) de várias regiões do estado também participaram do encontro e tiveram a oportunidade de expor suas dificuldades.

O Cartão Aliança pela Vida faz parte do Programa Aliança pela Vida, que foi instituído em 2011 com o intuito de desenvolver ações voltadas ao atendimento de dependentes químicos e seus familiares; à capacitação de profissionais das áreas da saúde, assistência social e do sistema de defesa, além de atuar na repressão ao tráfico de drogas.

Segundo o presidente do Centro de Restauração Vida Nova de Esmeraldas, João Marcos Ferreira da Silva, a suspensão do repasse e a falta de reconhecimento por parte do Governo têm enfraquecido o trabalho realizado pelas comunidades terapêuticas. “O deputado Vanderlei Miranda sempre nos apoiou, conhece o nosso trabalho e sabe o efeito positivo que ele gera. Mas infelizmente as CT´s não estão sendo vistas com bons olhos. Muito nos veem como manicômios e hospitais psiquiátricos. Sem falar que estamos há vários meses sem receber os recursos do Cartão Aliança pela Vida. Isso dificulta o nosso trabalho e o bom funcionamento das entidades”.

O fundador da Associação Renascer para a Vida, de São Sebastião do Paraíso, Norberto da Silva Nunes, ressalta que as comunidades desenvolvem o trabalho com foco nas áreas da saúde e social, mas acima de tudo, fazem primeiro por amor a Deus e pelo amor à vida das pessoas que estão perdidas no vício das drogas. “Queremos parabenizar o deputado que intercedeu por essa reunião com o secretário de Saúde. Esse debate não acontecia há vários anos e ter alguém para interceder pelas comunidades terapêuticas é algo que precisamos. Principalmente porque a nossa atuação tem sido vista de forma diferente do que realmente é”.

Ex-dependente de álcool e drogas, Almir Alves dos Santos hoje é coordenador da Casa Azul, entidade filiada ao Centro de Tratamento de Alcoolismo e Drogas (Credeq), ele conta como o Cartão Aliança pela Vida foi importante para ele. “Fui beneficiado pelo cartão e luto para que outras pessoas tenham a mesma oportunidade que tive. O Aliança mudou a minha vida e a vida da minha família”.

O deputado Vanderlei Miranda afirmou que as CT´s representam uma grande contribuição para o Estado, com baixo custo e altíssimos resultados. “Por muito tempo os recursos de emenda que chegavam até mim, eu canalizava, praticamente, 90% deles para as comunidades terapêuticas. Isso ajudava bastante. Mas veio o Cartão Aliança pela Vida. No primeiro momento, uma proposta que encheu todo mundo de esperança, porque pela primeira vez o Governo participaria e investiria efetivamente recurso direto na questão da dependência. Embora esse valor, inicialmente, estivesse muito longe da realidade do custo de um dependente, que é de R$ 1.600,00, e o Estado contribuía com aproximadamente R$800,00. Valor esse que depois passou para R$1.300”.

O parlamentar disse também que as pessoas da área da saúde mental precisam entender que as comunidades não são uma espécie de manicômio. “Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) não estão mais aceitando encaminhar os pacientes para a internação nos CT´s. Entendo que os CAPS não têm a estrutura para fazer o trabalho de assistência e acompanhamento. Estamos vivendo uma situação na qual estão tendo uma visão diferente do que é a questão da dependência química. O que precisamos é trabalhar essa questão mais do ponto de vista humano do que do ponto de vista técnico. Não deixando de lado o cumprimento das exigências que sempre existiram. Mas infelizmente a situação tomou um rumo assustador. Praticamente estão extinguindo o atendimento aos dependentes”.

O secretário de Saúde, Sávio Souza Cruz, ouviu as demandes apresentadas pelos representares das CT´s e explicou as dificuldades enfrentadas pelo governo diante do atual cenário econômico. “Na área da saúde temos que lidar com muitas necessidades. Não estou prometendo que vamos resolver as questões. Porque muitas das vezes não depende da gente. Como todos sabem, estamos vivendo uma crise financeira no Estado, mas vou trazer a questão da dependência química para a esfera das carências e colocá-la em pé de igualdade com as demais”.

O presidente do Ministério Ceami de Uberlândia, Onézimo Domingos, agradeceu ao deputado Vanderlei Miranda e ao secretário Sávio Souza Cruz por terem recebido os representantes das associações e afirmou que foi um dia marcante. “Estamos aqui como um clamor. Já estava perdendo as forças. E olha que estou há 20 anos trabalhando com comunidade terapêutica. Mas ficamos muito admirados, porque há vários anos estamos tentando essa agenda e não conseguíamos. Estamos muito felizes. Esse é um grupo de pessoas representando uma multidão, entre diretores, voluntários, internos e familiares. Saímos daqui mais tranquilos em saber que as comunidades terão essa voz e representação na Secretaria de Saúde e na Assembleia”.