Comissão Extraordinária do Idoso

Com o intuito de nortear o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a população idosa de Minas Gerais, a Comissão Extraordinária do Idoso da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizou, na tarde desta quarta-feira (18), uma audiência voltada para debater a feminilização da população Idosa no estado. Para a reunião, foram convidadas a analista de Políticas Públicas da Coordenadoria Municipal de Direitos da Pessoa Idosa da Prefeitura de Belo Horizonte, Sandra de Mendonça Mallet e a coordenadora da Coordenadoria de Direitos Humanos da Pessoa Idosa da Prefeitura de Belo Horizonte, Maria Fontana Cardoso.

Pesquisa da Fundação João Pinheiro revela que, em Minas, as mulheres são maioria entre os idosos, fenômeno conhecido como feminilização da população idosa. Segundo a pesquisa, uma das causas seria a maior longevidade da população feminina. Os dados mostram que em 2011, 55% das pessoas com idade entre 60 e 79 anos eram mulheres. Número que aumenta com a idade. Segundo a Fundação, 58,5% daqueles com mais de 80 anos eram do sexo feminino.

O presidente da Comissão, deputado Isauro Calais, destacou que o envelhecimento é visível e real. O parlamentar lembra que a feminilização da população da terceira idade é uma realidade em Minas e no Brasil. Segundo ele, é necessário oferecer a essa população informações e políticas públicas que garantam envelhecimento saudável. ”É necessário dar qualidade de vida para essa legião de idosas. Precisamos legislar e fazer políticas públicas para garantir a essas pessoas qualidade de vida”, ressaltou. Na ocasião, Isauro lembrou que de acordo com estimativa da Organização das Nações Unidas – ONU, em 2040, a população idosa terá seis milhões de mulheres a mais que homens.

A analista de Políticas Públicas da Coordenadoria Municipal de Direitos da Pessoa Idosa da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, Sandra de Mendonça Mallet, disse que, em média, as mulheres vivem sete anos a mais que os homens, estatística que contribui para o aumento da feminilização da população idosa. “A mulher sempre assumiu vários papéis sociais. Ela é mãe, esposa, trabalha e cuida de casa.

Quando aposenta, preenche o espaço do trabalho com essas atividades. Já para o homem, que teve sua vida voltada para o trabalho, essa substituição é mais difícil”, explica. A analista ainda destaca o cuidado das mulheres. Segundo ela, mesmo que não tenham se prevenido contra doenças durante a vida, as idosas estão mais atentas à saúde que os homens.

A violência contra os idosos foi um dos temas debatidos na reunião. Segundo Sandra, cerca de 70% das denúncias de violência que chegam à prefeitura de Belo Horizonte são de mulheres vítimas de violência doméstica. Para contornar o problema, ela sugere a criação de mais delegacias especializadas. “A questão da violência precisa ser assumida por alguém. A prefeitura não tem o papel de polícia. O papel da prefeitura é de fortalecer laços”, afirmou.

Para Maria Fontana Cardoso, coordenadora da Coordenadoria de Direitos Humanos da Pessoa Idosa da Prefeitura de Belo Horizonte, é preciso investir mais em políticas que assegurem qualidade de vida, não somente para as idosas, mas também para os idosos. Ela destaca que muitos programas voltados para a terceira idade direcionam suas atividades para as mulheres, prática que, muitas vezes, não atraem os homens. “É preciso criar espaços de convivência que atendam a ambos”, disse. Ainda, segundo ela, o envelhecimento exige atenção e cuidado. “Não adianta aplaudir a longevidade se não houver qualidade. O estatuto do idoso nos diz que a responsabilidade pelo cuidado ao idoso é da família, da sociedade e do estado” lembrou.

Ao final, o deputado Isauro Calais afirmou que ouvir os especialistas e a sociedade é fundamental para direcionar a gestão de políticas públicas que beneficiam esta faixa da população. “É fundamental para o idoso dependente que ele tenha um cuidador que possa passar uma hora por dia orientando como tomar um remédio, como lidar com uma roupa. Já para os idosos independentes, é preciso que estado crie políticas para que possam se distrair, se divertir e ser felizes. Políticas que deem lazer, educação, cultura e, consequentemente, qualidade de vida”, concluiu.